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domingo, 3 de março de 2013

O Arco-íris e seu Pote de Ouro

Talvez eu apenas precise que me diga, é muito cansativo vasculhar por amor em seus olhos.
Apenas precise que me toque com firmeza, que o abraço seja apertado, que não me deixe escapar...
De fato é lindo encontrar inesperadamente amor em um olhar desviado, em uma palavra atravessada, em um silêncio profundo
Mas nos dias de cansaço, a força falta para o buscar, para encontrar onde você esconde todo sentimento
Onde o guarda, com todo cuidado, orgulhoso, só para não me dar.
Sei que há amor nas feridas, no medo, na vaidade...
Mas que reste ainda um pouco de amor nas suas palavras, nos seus beijos, nas suas atitudes.
Que nos dias em que a força falte, que o amor esteja fácil para me apoiar,
Nos dias que o coração aperte, ele seja meu afago
Nos dias de solidão, eu saiba onde encontrá-lo.
E que ele seja simples e claro, seja o conforto de que tanto preciso,
Não seja um jogo, que não exija assim tantos esforços
Que gaste minhas forças em lhe amar, todos os dias, até o esgotamento
Que o cansaço não venha desta minha procura infinda pelo amor dentro da bagunça da sua alma.

domingo, 25 de julho de 2010

O pão nosso de cada dia

Quando nasci,
três reis mals me presentearam com sonhos, esperanças e imaginação.
Nasci sem pai nem mãe, e me criei sozinha.
Meu corpo foi tomado feito cachaça em um gole de amargura,
sendo crucificado sem nenhuma devoção.
Andei sobre águas etílicas e atravessei muitos desertos.
Fui traída por menos que trinta moedas
e os que erraram me atiraram a primeira pedra.
Sangrei sem tentarem me matar
e após o sétimo dia não ressuscitei.
Fui morta por quem dediquei minha vida
e enquanto carregava minha cruz pedi:
"Perdoai-o, Amor, ele não sabe o que se sente."

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Diferentemente das flores

Te sentes especial porque ouviste que
qualquer cousa em ti se parece
com outra qualquer na natureza.
Que tens tu do sol, das estrelas, do mar ou do ar?
Belezas inatingíveis,
veneração epistemológica.
O perfume das flores encontra-se já em pequenos e grandes frascos.
Seres a flor mais bela de um jardim
não te tornas única,
te tornas a mais bela.
Não te comparo a nenhuma cousa além de nossa compressão,
Tu és apenas uma garota com imperfeições que não há no céu ou nos mares.
Não tens a grandeza de um astro
que a todos aquece o corpo,
nem és como o ar que a todos é vital.
Tu és uma pequena parte da natureza,
e muito me agrada seu pequeníssimo tamanho,
pois assim cabes em meu colo.
Porém, se fosse comparar-te a algo que não és,
apenas como uma metáfora,
a fim de mostrar-te sensibilidade,
serias minhas bactérias,
danosas, benéficas, sobretudo, essenciais.
Serias um vírus, que ao me desestabilizar, me fortalece.
Tu serias um fungo que, silenciosamente, me devora.
E, entretanto, desejo-te profundamente:
Desejo cada ínfima maldade que, por ventura, possuas,
e minha carne cada pungente ferida que trouxeres.
Meu pequeno ponto de vida,
tens a beleza de me ser vital.

(tentativa de usar segunda pessoa, coração aberto para os possíveis erros, rs)

domingo, 29 de novembro de 2009

A desenhei em minhas pálpebras
e dormir agora dói.
Minhas lágrimas
não a apaga,
não a afoga:
irresistível sua imagem a dançar sob a chuva.
Com


bom

Con
fe
sso:
cético

A.A. - amantes anônimos.

Carrego um sentir dependente
de doses diárias de razão
a fim de a n e s t e s i a r minhas emoções.
Quando a novidade se fez necessária
e o prazer do auto-controle se fez pequeno
encontrei você:
droga pesada, química viciante.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Na radio, na cabeça.

Se eu pudesse ser quem, o tempo todo, você quer
se eu pudesse ser quem você quer o tempo todo
o tempo todo, se eu pudesse ser, quem você quer?
o tempo todo, quem você quer ser?
se você pudesse ser quem quer, o tempo todo...
se eu pudesse ser quem você quer,
se eu pudesse o tempo ser...
se.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O conflito entre o sim, o não, e o sin.

Dedicado à M. Madalena

Ah moço, não faças isso, te digo de antemão
devias é ter medo de moça tão ousada
essa que bem sabe que a impedindo estás a impelindo
contra si, contra a pele,
pele que de nada entende
além do calor, do frio, e de alguns arrepios.

E se surpreenderá ao descobrir
que o sim e o não se tangenciam
e então já terás gasto demasiada saliva com tantos nãos,
mas tenhas calma que a recuperará no inevitável
quando o talvez pilantra roubar
todos os sins do teu corpo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Acrosticando

Cousa é essa que atormenta?
Retorce involuntariamente os músculos voluntários
Estribilha a perna ansiosa, enquanto
Todo seu rosto se contrai engolindo sal pelos olhos.
Inquieto o coração se desfaz
Nessa saudade injusta de quem não aceita
O destino dos seus encontros.


"So
lamente
uma vez"
(Leminski)

ImaginAção

Acordo com vontade de ver o sol se pôr,
e ele se põe todos os dias.
Não é por serem óbvias, ou recorrentes,
que tal coisa perde o encanto.

Eu que nunca vi o crepúsculo polar,
me satisfaz o imaginar.

Digo que não é estranho sentir saudade
dos cinco minutos passados, após cinco minutos.

Nem tão pouco a saudade do que nunca vivi,
aquilo que não foi
                             vive em minha imaginação.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

importância importada.

Hoje acordei com saudade do que nunca vivi,
calculando quantos tempos tem em dois dias,
quem sabe assim não gasto algum tempo e logo será apenas um.
Então o amanhã se tornará hoje, e esse hoje logo será ontem,
e da espera ficará a saudade e uma nova espera.
Mas, se sei que vem, sou feliz por esperar.

Hoje um amigo me disse:
"Ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio."

sábado, 12 de setembro de 2009

Ciclo Monstrual

Passo três dias no meio fio,
meio seca, mas grata pelo que passou.
Nos próximos sete compenso o desencanto,
semana de bar, de cerveja, de pensar bobeiras e falar todas elas.
E agora são quatro dias arrancando os pelos,
passando um blush e um batom,
momento que antecede os próximos cinco,
o clímax do mês, pergunte a uma mulher,
de preferência não sua mãe.
Chegam os três dias de desaceleração da alma,
que tranquila aproveita o que está para acabar
e que não é o dinheiro, esse foi deixado no auge do bar.
Então chegam os seis dias de crescente solidão,
e, conseqüentemente, durante três dias e meio sangro.




Nota de rodapé: Não quero abandonadar o trema :(

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

evitando caimbra

A sobriedade da desilusão me traz orgulho da minha mente,
que se mostra, repentinamente, criativa.
e, num acesso, a ciencia da grande produção literária produzida em equipe:
a mente, a ilusão, a esperança, e a idealização.
versar sobre a rotina, e fazer dela poesia,
se convencendo que todo drama tem um fundo de comédia romântica.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

ver no in ver no in ver no in ver no ...

Inverno invasor, inverso,
invicto, sempre chega, inveterado,
sempre parte, envereda-se,
sempre a parte invejável do meu inventário,
do meu inverno, ermo, invendável,
quando meu eu inverna, involui-se
e se envaidece, por seu modo invulgar de enverdecer,
quando em seu invernal momento
se congela, e somente o que se tem de forte
não se enverga à invernada e renasce,
não apenas invernizado,
mas vertendo o verde e inversível verve interno
do meu não vivido, mas vívido coração.

terça-feira, 21 de julho de 2009

com seu sem.

se

con
for
mar

então
eu
frio
salobre.

domingo, 19 de julho de 2009

nano-felicidade

Corpos sustentados por fibras ópticas
com ramificações condicionadas e
incapazes de entrelaçar pessoas.
Felicidade metodológica,
prazeres alienados
produzidos em escala e
tranferidos por bluetooth.
Energia disperdissada com choques,
rompimentos,
pela incapacidade de se fundir
limitando-se do calor maior.
Eu querendo me expandir
e o século reduzindo:
a tecnologia, o tempo, a compaixão.
O mundo aquecendo,
e as pessoas congelando:
a comida, seus filhos, os sentimentos.
Relógio para contar o tempo que desperdiçam,
GPS para se encontrarem no mundo,
microscópios para ver o pequeno,
telescópios para ver o distante,
óculos escuros para ver no claro,
infravermelho para ver no escuro,
lentes para a falta de foco,
óculos, lupas, binóculos, telescópios...
Tanta tecnologia pra se ver um mundo sem visão,
ver o glaucoma atingindo crianças
e adultos a produzir muletas de compensado.

em módulo

Descobrir prazeres no que acho detestável
até acordar cedo, se for para lhe ver dormir,
ficar sem espaço, se for para lhe caber.
E que ironia,
escrevendo torto por linhas certas,
me afastando do que eu queria encontrar,
não subo, não caio, não ando em círculos:
a discrepancia entre felicidade e meu momento
é uma mera questão vetorial.

domingo, 28 de junho de 2009

O título

Quis lhe dar um título perfeito,
titular perfeição na nossa mistura e nos ver em solução...
mas você é intitulável.
Quis lhe dar o vento, a ventura, aventura,
e aventurada fui quando descobri aventura no vento criado por seus movimentos.
Quis lhe dar um presente caro, e encarei o desafio
de lhe mostrar minha cara limpa, cara suja, cara amassada, descarada.
Quis lhe dar o arco-íris, e ofereci meus braços,
que arqueados lhe cabe de maneira exata.
Ofereci a íris dos meus olhos,
uma dupla fiel que insiste em lhe ver até em minhas pálpebras.
Uni, então, ver e tocar com um traço de mudez que tudo diz.
Então me destrinchei em sete cores,
reflexos vermelhos da minha alma,
que vez ou outra desbota-se laranja
ao conflitar com minha pele amarela,
fora invadido pelo indesejado verde-esperança,
e minha racionalidade azul, deparada
com a vontade viole(n)ta de lhe sentir,
se tornou insignificantemente anil.
Quis lhe dar o céu, e ofereci o da minha boca,
palavras, sorrisos, silêncios, e seu sabor.
Quis me dar a você, mas não me encontrei,
perdi minha cabeça e minha mente levitou,
lá de cima nada compreendia ao me ver fragmentada:
meu coração saíra pela boca e pulsava desenfreado,
meus pés estavam no ar, meu estômago na garganta,
e do meu peito dilacerado saíam borboletas eufóricas.
Quis lhe dar coragem, mas só tinha medo.
Queria lhe dar um radinho de pilhas,
com a esperança que, mesmo sem energia,
tocasse aí a canção que tocou cá.
Criei nós que só tinham força na minha ilusão,
quiçá eu soubesse dar um nó de marinheiro nas sensações,
para amarrar à você algum encanto válido que me mantivesse,
no seu desejo, na sua rotina, na sua procura.
e entre tantos nós desfeitos,
restou apenas um cego nó na garganta.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vidrada

Eu, areia, passei por tantas mãos sempre a escapar por entre os dedos.
Você ofertando todo seu calor me fez vidro,
por suas mãos fui modelada um pote de esperanças,
e preenchido com deliciosas recordações.
Então esfriou, me pediu para endurecer, e depois me quebrou:
nem areia, que voa livremente.
nem vidro firme e íntegro,
apenas recordações espalhadas e feridas por
. e s . t . . i l h . . . . . . . . d e . . . e s . p e r a . . .
. . . . . . . . . . . a ç . o s . . . . . . . . . . . . . . . . n ç . a s .

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Encanto lógico.

Um homem perfeito seria racionalmente irracional.
Positivo, vez ou outra negativo, para sê inteiro.
Que seja complexo, uma parcela imaginária ornamenta a real.
Natural, infinito, mas não inconstante.
Acho que quero uma dízima periódica.