Descobrir prazeres no que acho detestável
até acordar cedo, se for para lhe ver dormir,
ficar sem espaço, se for para lhe caber.
E que ironia,
escrevendo torto por linhas certas,
me afastando do que eu queria encontrar,
não subo, não caio, não ando em círculos:
a discrepancia entre felicidade e meu momento
é uma mera questão vetorial.
domingo, 19 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Grande Merda
Nós, humanos, não somos os únicos que brigamos por qualquer bosta.
Scarabaeidae - "Besouro Rola-Bosta"
Scarabaeidae - "Besouro Rola-Bosta"
sábado, 11 de julho de 2009
Mentindo verdades.
Como admiro Lewis Carroll!
capaz de mentir além das verdades alheias,
ou de recortar verdades,
e ligar seus extremos, recriando,
como num passe de mágica,
uma mentira nunca antes mentida,
uma realidade enterrada em mentes
tão evoluídas como a de uma criança.
capaz de mentir além das verdades alheias,
ou de recortar verdades,
e ligar seus extremos, recriando,
como num passe de mágica,
uma mentira nunca antes mentida,
uma realidade enterrada em mentes
tão evoluídas como a de uma criança.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
sensação avirgular II
Nem a análise combinatória me desistimula,
uma fila de números que me pareciam infinitos
a internet foi capaz de deixá-los finitamente pequenos.
Vinte e poucas letras tornaram-se poucas
frente às bilhões de pessoas que as combinam,
e sinto-me sagazmente feliz
quando tiro do teclado algo que o gúgou não conhece.
uma fila de números que me pareciam infinitos
a internet foi capaz de deixá-los finitamente pequenos.
Vinte e poucas letras tornaram-se poucas
frente às bilhões de pessoas que as combinam,
e sinto-me sagazmente feliz
quando tiro do teclado algo que o gúgou não conhece.
domingo, 28 de junho de 2009
O título
Quis lhe dar um título perfeito,
titular perfeição na nossa mistura e nos ver em solução...
mas você é intitulável.
Quis lhe dar o vento, a ventura, aventura,
e aventurada fui quando descobri aventura no vento criado por seus movimentos.
Quis lhe dar um presente caro, e encarei o desafio
de lhe mostrar minha cara limpa, cara suja, cara amassada, descarada.
Quis lhe dar o arco-íris, e ofereci meus braços,
que arqueados lhe cabe de maneira exata.
Ofereci a íris dos meus olhos,
uma dupla fiel que insiste em lhe ver até em minhas pálpebras.
Uni, então, ver e tocar com um traço de mudez que tudo diz.
Então me destrinchei em sete cores,
reflexos vermelhos da minha alma,
que vez ou outra desbota-se laranja
ao conflitar com minha pele amarela,
fora invadido pelo indesejado verde-esperança,
e minha racionalidade azul, deparada
com a vontade viole(n)ta de lhe sentir,
se tornou insignificantemente anil.
Quis lhe dar o céu, e ofereci o da minha boca,
palavras, sorrisos, silêncios, e seu sabor.
Quis me dar a você, mas não me encontrei,
perdi minha cabeça e minha mente levitou,
lá de cima nada compreendia ao me ver fragmentada:
meu coração saíra pela boca e pulsava desenfreado,
meus pés estavam no ar, meu estômago na garganta,
e do meu peito dilacerado saíam borboletas eufóricas.
Quis lhe dar coragem, mas só tinha medo.
Queria lhe dar um radinho de pilhas,
com a esperança que, mesmo sem energia,
tocasse aí a canção que tocou cá.
Criei nós que só tinham força na minha ilusão,
quiçá eu soubesse dar um nó de marinheiro nas sensações,
para amarrar à você algum encanto válido que me mantivesse,
no seu desejo, na sua rotina, na sua procura.
e entre tantos nós desfeitos,
restou apenas um cego nó na garganta.
titular perfeição na nossa mistura e nos ver em solução...
mas você é intitulável.
Quis lhe dar o vento, a ventura, aventura,
e aventurada fui quando descobri aventura no vento criado por seus movimentos.
Quis lhe dar um presente caro, e encarei o desafio
de lhe mostrar minha cara limpa, cara suja, cara amassada, descarada.
Quis lhe dar o arco-íris, e ofereci meus braços,
que arqueados lhe cabe de maneira exata.
Ofereci a íris dos meus olhos,
uma dupla fiel que insiste em lhe ver até em minhas pálpebras.
Uni, então, ver e tocar com um traço de mudez que tudo diz.
Então me destrinchei em sete cores,
reflexos vermelhos da minha alma,
que vez ou outra desbota-se laranja
ao conflitar com minha pele amarela,
fora invadido pelo indesejado verde-esperança,
e minha racionalidade azul, deparada
com a vontade viole(n)ta de lhe sentir,
se tornou insignificantemente anil.
Quis lhe dar o céu, e ofereci o da minha boca,
palavras, sorrisos, silêncios, e seu sabor.
Quis me dar a você, mas não me encontrei,
perdi minha cabeça e minha mente levitou,
lá de cima nada compreendia ao me ver fragmentada:
meu coração saíra pela boca e pulsava desenfreado,
meus pés estavam no ar, meu estômago na garganta,
e do meu peito dilacerado saíam borboletas eufóricas.
Quis lhe dar coragem, mas só tinha medo.
Queria lhe dar um radinho de pilhas,
com a esperança que, mesmo sem energia,
tocasse aí a canção que tocou cá.
Criei nós que só tinham força na minha ilusão,
quiçá eu soubesse dar um nó de marinheiro nas sensações,
para amarrar à você algum encanto válido que me mantivesse,
no seu desejo, na sua rotina, na sua procura.
e entre tantos nós desfeitos,
restou apenas um cego nó na garganta.
sensação avirgular
Permito que roube meu sono em prol de uma inspiração válida, não de idéias brilhantes, mas de combinações simples de palavras capazes de exprimirem o sentimento humano mais expressivo que é o sofrimento exagerado e carinhosamente cultivado do ego rejeitado compreendido por qualquer um que saiba traduzir a poesia de um não. (respira).
domingo, 21 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Vidrada
Eu, areia, passei por tantas mãos sempre a escapar por entre os dedos.
Você ofertando todo seu calor me fez vidro,
por suas mãos fui modelada um pote de esperanças,
e preenchido com deliciosas recordações.
Então esfriou, me pediu para endurecer, e depois me quebrou:
nem areia, que voa livremente.
nem vidro firme e íntegro,
apenas recordações espalhadas e feridas por
. e s . t . . i l h . . . . . . . . d e . . . e s . p e r a . . .
. . . . . . . . . . . a ç . o s . . . . . . . . . . . . . . . . n ç . a s .
Você ofertando todo seu calor me fez vidro,
por suas mãos fui modelada um pote de esperanças,
e preenchido com deliciosas recordações.
Então esfriou, me pediu para endurecer, e depois me quebrou:
nem areia, que voa livremente.
nem vidro firme e íntegro,
apenas recordações espalhadas e feridas por
. e s . t . . i l h . . . . . . . . d e . . . e s . p e r a . . .
. . . . . . . . . . . a ç . o s . . . . . . . . . . . . . . . . n ç . a s .
domingo, 14 de junho de 2009
A metáfora do momento!
Era festa junina à antiga.Acendeu-se um balão.Meu balão.Sua chama era tão bonita, gostosa, aconchegante, que o mantive em minhas mãos por um bom tempo. As pessoas diziam que o normal, nessa situação, seria deixá-lo ir; mas eu não conseguia.Era bom ter aquela chama por perto.Depois de muito olhar para ela, fui tomada por pensamentos indagadores: Que sentido fazia ficar segurando aquele balão?O seguraria até que sua chama se apagasse, mas correndo o risco de me queimar?Ou o deixaria ir como era seu aparente destino?E antes que pudesse me decidir, um vento soprou.Fiquei lá, parada, olhando o balão se afastar, contra a minha vontade irracional, com sua chama ainda visível.Não voltava mais, eu sabia. Se voltasse, com ele voltaria o dilema.E por que é, então, que no fundo, sempre no fundo, eu tinha a esperança de que o mesmo vento que o levou o trouxesse de volta?
Conversa de bot(a)equim.
- Dói perceber que duas letras podem findar até o infinito.
- Ou tornar possível o impossível.
- As mesmas duas letras, com resultados tão divergentes.
- Onde nos inserimos ou de que nos excluímos também são grandes escolhas.
- Suave ou seco?
- Seco e natural, sem gelo.
- O vinho ou você?
- O vinho.
- E qual a diferença?
- Seco pra suave é uma mera questão de adição de açúcar.
- O vinho ou você?
- ...
- Não gosta de bebidas doces?
- Hoje não.
- Ou tornar possível o impossível.
- As mesmas duas letras, com resultados tão divergentes.
- Onde nos inserimos ou de que nos excluímos também são grandes escolhas.
- Suave ou seco?
- Seco e natural, sem gelo.
- O vinho ou você?
- O vinho.
- E qual a diferença?
- Seco pra suave é uma mera questão de adição de açúcar.
- O vinho ou você?
- ...
- Não gosta de bebidas doces?
- Hoje não.
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