Fico pensando a perda que será para a beleza humana o dia em que todos os seios forem grandes, redondos, duros, juntos, numa altura específica, e com uma proporção áurea entre mama e auréola. Que chatice, que tédio. Não é questão de aceitação. Ninguém precisa aceitar seu corpo. O que vem sido tratado como um processo, em minha opinião, é o que deveria ser óbvio e natural. São lindos os grandes, os pequenos, os redondos, os binodais, sigmoides, esquisitinhos, é quase uma personalidade em tetas. Hão de acabar com toda a expectativa que antecede uma apalpada, com a surpresa que é a primeira olhada, e os movimentos que fazem. Torço para que esse dia não chegue, e que esses tantos mil reais sirvam para levar as tetas para passear, para pegar um sol, para balançar em uma trilha... Uma mutilação não apenas do corpo, mas da alma. É como se retirassem da alma a capacidade que todos temos de enxergar o belo: a beleza do natural, do diferente, entregando-se a padrões de moda que não perdoaram nem a Barbie.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Eu e o meio
Não sou uma pessoa de fé. Não acredito em criação. Não sei
modelar sentimentos em barro e dar vida a esses em um ato sobrenatural. Acredito
no que eu vejo, no que ouço, no que toco, e humildemente, no que sinto. Há quem
me considere complicada, mas considero essa a mais simples das formas de ser.
Difícil é o que me pedem: que crie um tudo com um nada. Que componha estórias e
histórias, com início, meio e fim, baseadas em fantasias.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Suporte
Não suporto pensar em sua
partida. Sei que cedo ou tarde haveria de vir, mas, doi que me faça pensar nela
assim, tão cedo, tão inesperadamente.
Não suporto que parta lentamente.
Dia após dia, sem me avisar que se afasta. Sigo lentamente os passos seus,
enquanto você busca um novo rumo e segue a passos largos, tão maiores que os
meus. E assim me faz acreditar que eu lhe perdi, enquanto fugia sorrateiro de
mim.
Não suporto que suporte essa
distância, enquanto ao seu lado nossas forças me proporcionavam um equilíbrio perfeito,
agora, sozinha, me sinto em uma corda bamba. Não suporto lhe ver correndo livre
pelos campos, como se finalmente encontrasse a liberdade tão procurada, como se
eu tivesse lhe roubado os campos, o cheio da terra, e o sol em sua pele.
Não suporto participar da sua
partida. Se for para partir: vá, cuspa no chão, bata a porta e diga que foi
tarde. Que ficará bem melhor assim. Não faça parecer que fui eu quem lhe tirou
da minha vida.
Não suporto que eu queira a sua
partida. Depois de controlar todos os meus quereres, nem esse me restou. Você
me define, me controla, e faz com que eu solte as suas mãos. Como se eu quisesse,
como se eu suportasse.
Não suporto que eu não suporte
toda essa sua indiferença ao que se esvai. Se amor já não me dá, como posso
querer qualquer outra coisa sua? Deveria ser fácil partir quando o amor chega
ao fim. A lembrança sempre é viva. O presente acabou. Ao futuro resta apenas o
que passou, e isso ninguém nos tira, porque tanta infelicidade então?
Você fez com que eu lhe abrisse
as portas, quando só queria lhe colocar para dormir. Dei um beijo de adeus no
lugar daqueles de bom dia. Disse vá, bati a porta e esbravejei que fora tarde. Mas,
apenas queria que viesse, que ficasse, que estivesse um dia mais.
domingo, 3 de março de 2013
O Arco-íris e seu Pote de Ouro
Talvez eu apenas precise que me diga, é muito cansativo vasculhar por amor em seus olhos.
Apenas precise que me toque com firmeza, que o abraço seja apertado, que não me deixe escapar...
De fato é lindo encontrar inesperadamente amor em um olhar desviado, em uma palavra atravessada, em um silêncio profundo
Mas nos dias de cansaço, a força falta para o buscar, para encontrar onde você esconde todo sentimento
Onde o guarda, com todo cuidado, orgulhoso, só para não me dar.
Sei que há amor nas feridas, no medo, na vaidade...
Mas que reste ainda um pouco de amor nas suas palavras, nos seus beijos, nas suas atitudes.
Que nos dias em que a força falte, que o amor esteja fácil para me apoiar,
Nos dias que o coração aperte, ele seja meu afago
Nos dias de solidão, eu saiba onde encontrá-lo.
E que ele seja simples e claro, seja o conforto de que tanto preciso,
Não seja um jogo, que não exija assim tantos esforços
Que gaste minhas forças em lhe amar, todos os dias, até o esgotamento
Que o cansaço não venha desta minha procura infinda pelo amor dentro da bagunça da sua alma.
Apenas precise que me toque com firmeza, que o abraço seja apertado, que não me deixe escapar...
De fato é lindo encontrar inesperadamente amor em um olhar desviado, em uma palavra atravessada, em um silêncio profundo
Mas nos dias de cansaço, a força falta para o buscar, para encontrar onde você esconde todo sentimento
Onde o guarda, com todo cuidado, orgulhoso, só para não me dar.
Sei que há amor nas feridas, no medo, na vaidade...
Mas que reste ainda um pouco de amor nas suas palavras, nos seus beijos, nas suas atitudes.
Que nos dias em que a força falte, que o amor esteja fácil para me apoiar,
Nos dias que o coração aperte, ele seja meu afago
Nos dias de solidão, eu saiba onde encontrá-lo.
E que ele seja simples e claro, seja o conforto de que tanto preciso,
Não seja um jogo, que não exija assim tantos esforços
Que gaste minhas forças em lhe amar, todos os dias, até o esgotamento
Que o cansaço não venha desta minha procura infinda pelo amor dentro da bagunça da sua alma.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Ninguém ama o Ovo
A verdade é que ninguém ama ovo, nem mesmo gosta de ovo, do
ovo, por si só. É capaz que alguém venha me contrariar, mas direi ainda que
você não gosta de OVO, no máximo gosta de sensação que a excentricidade de
gostar de ovo lhe causa. A individualidade criada por esse gosto bizarro. O que
a gente gosta MESMO é do que o ovo se torna quando mergulha destemido em água
fervente, ou quando se entrega à frigideira, naquela troca de calor, um gruda e
desgruda, fritando até desidratar.
A gente gosta mesmo é do encontro, da transformação, do que
se torna. Após o encontro, o ovo nunca mais voltará a ser apenas um ovo, é
irreversível, é a arte do encontro.
Tô pra ver alguém que se deleite em um imenso pacote de
farinha de trigo, ou que se contente com uma colherada de açúcar refinado.
Ninguém gosta de ovo, ninguém gosta de farinha, a gente gosta é daquele bolo
quentinho, cheiroso, polvilhado de açúcar, confeitado em dias especiais,
basiquinho no dia-a-dia. A gente gosta é da imensidão de possibilidades de
transformar, de transformar cada coisa isolada em infinitos sabores.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Átomo
Haveria de aceitar que no fundo todo mundo é um pouco triste e um pouco só, mas como ser vida nesse vácuo em que me percebo, nessa solidão atômica, nessa existência inevitavelmente isolada? Minha única companhia: a angústia. A todo momento travando longas conversas incompreensíveis da minha pele para lá. Uma alma silenciada, perturbada apenas pelo grito de um peito rouco: de sonhos tão desacreditados, de sonos tão calados e de tantas urgências, agora cansado e envelhecido.
Se são os sonhos que alimentam a juventude, a ausência deles é o presépio da morte. Vejo assim a vida por um fio, será o fio vermelho que desativa esta bomba? Será este o último suspiro deste micro universo energético e destinado a autodestruição? Sinto minhas renegadas esperanças serem destruídas poeticamente pela oportunidade de enxergar, de colorir o invisível, de tornar perceptível o oculto, e descobri-lo uma arma apontada para meu peito que, desde sempre desesperado, descobre um misto de alívio, arrependimento e uma última esperança fora de hora. E somente agora ouço um grito, não propriamente meu, mas vindo de mim - eis a última morte em meu peito - e enquanto definha, meus olhos refletem um céu azul e minha pele sente o calor de um dia bonito.
Nem mesmo o céu chorou.
Se são os sonhos que alimentam a juventude, a ausência deles é o presépio da morte. Vejo assim a vida por um fio, será o fio vermelho que desativa esta bomba? Será este o último suspiro deste micro universo energético e destinado a autodestruição? Sinto minhas renegadas esperanças serem destruídas poeticamente pela oportunidade de enxergar, de colorir o invisível, de tornar perceptível o oculto, e descobri-lo uma arma apontada para meu peito que, desde sempre desesperado, descobre um misto de alívio, arrependimento e uma última esperança fora de hora. E somente agora ouço um grito, não propriamente meu, mas vindo de mim - eis a última morte em meu peito - e enquanto definha, meus olhos refletem um céu azul e minha pele sente o calor de um dia bonito.
Nem mesmo o céu chorou.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Divagações
O homem que diz amar todas as mulheres não ama nada além de si próprio e do prazer egocêntrico que a conquista traz. Amar outra pessoa é se redescobrir em outro corpo, em outra vida. É olhar o mundo por outros olhos, é tocar por outras mãos, é sentir-se fora de si. Amar outra pessoa é mais que amar a si próprio, é amar a pessoa que você se torna.
Amar todas as mulheres é vaidade, é curiosidade, é sentir-se perdido, é solidão compartilhada. E é bonito também, porque não? Mas, amar uma única pessoa é desesperadamente belo, é um turbilhão de encontros com seu íntimo desconhecido, é descobrir novos risos, novos choros, novas angústias e, sobretudo, é descobrir novas formas de se ser, na alegria ou na tristeza, livre para se ser. Não mais jogos, não mais buscas, apenas incansáveis encontros e descobertas. Só o amor nos torna capaz de ser feliz até nos dias tristes.
Hoje não toca Raul
Todas as maçãs são iguais, dizia Raul. Assim como todos os homens são iguais na condição de humano. Mas, tal qual a maçã, há uma grande diversidade de cor, textura, sabor. Só um bom apreciador sabe o que é salivar para uma maçã só por lembrá-la. Verdinha feito folha jovem, ou naquele tom de vermelho ideal, rajada, lisinha, com uma textura única. Sejam as azedinhas, as mais doces, as macias, as duras, quase a ponto de ferir quando nos toca a boca. Básicas, amarrantes, suaves. Têm quem prefira ela mais madura, há quem goste ainda jovem. Há até aqueles que não gostam de maçã, preferem outra fruta. Há os malucos que parecem não gostar de fruta alguma. Mas, dentre os apreciadores, insisto que cada um sabe bem a maçã que lhe enche a boca d’água. Na fruteira, de fato, podem ser muito parecidas, e a maioria muito passíveis de matar a fome imediata e dar certo prazer momentâneo, mas, basta levá-la à boca, sentir seu sabor, para saber que está provando algo mais que gostoso, quem provou Aquela maçã no ponto, do tamanho da sua fome, sabor gostinho-de-quero-mais, há de concordar que não, todas as maçãs não são iguais.
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