quinta-feira, 24 de setembro de 2009

a mór

Ah, como gosto de um alguém carente, desesperado, dramático, intenso. Alguém que passe o dia na espera, fantasiando por onde estou. E quando ouvir o barulho do cadeado deitará depressa, se aconchegará entre as almofadas, montando o cenário perfeito de quem não me esperava, e fingirá que pouco se importou, mas quando eu chamar por seu nome, virá feliz me receber, me enchendo de beijinhos enquanto sinto o cheiro de seus cabelos que me pede para lavá-los. Ao me ver sorrir para outro, transbordará de ciúmes e pouco se importará com os meus próximos vinte sorrisos, por mais que adore cada um deles. Sabe que logo depois irei lhe agradar e, previsivelmente, me olhará com desdém, mas já conheço seu jeito mimado, lhe deito em meu colo e ficamos muito bem. Cada vez que eu partir se enroscará na minha bagunça, dormirá sobre minhas roupas e procurará meu cheiro pela casa, degustando a saudade de quem sabe que logo acaba. E brigaremos muitas vezes por pequenas tolices, a fim de afastar a monotonia da nossa paz, e nem precisamos nos guardar para os grandes conflitos, uma sintonia como a nossa não se desvia facilmente. Quando eu gritar se recolherá em si com cara de decepção e eu, ao tentar dormir sozinha, abraçada em meu orgulho, sentirei sua falta, e levantarei para lhe procurar e encontrarei ali, no corredor do meu quarto, virará o rosto num movimento de mágoa, mas ao perceber meus passos próximos voltará a me ver, e então sem nenhum orgulho nos abraçaremos, levo-lhe pra cama, e você me reclama um cafuné. Dessa maneira percebo o nosso amor infinito, e essa incomparável cumplicidade. Conto-lhe meus problemas, e você é capaz de me confortar apenas com seus olhinhos já cansados, mas que carregam ainda o mesmo brilho do primeiro encontro. Relaxa seu corpo cansado sobre o meu, e tranquilamente lambe minha mão, dessa maneira compactuamos nosso instinto de nos amar, e vejo em você a materialização dos meus gostos incomuns, e como é possível gostar tanto de um floco de algodão doce salpicado com azeitonas.

Um comentário:

Ricardo disse...

assino em baixo!!