quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ginkgo biloba ensina...




.... Se quiser aproveitar sua beleza terá que suportar seus odores.




Nota: Ginkgo biloba possui um fruto carnoso que, quando em decomposição, possui um odor fétido. Isso quase levou a espécie a extinção, essa que é a única árvore sobrevivente do grupo ao qual pertence. Mas, seu fruto é gostoso, então lhe deram uma trela...

importância importada.

Hoje acordei com saudade do que nunca vivi,
calculando quantos tempos tem em dois dias,
quem sabe assim não gasto algum tempo e logo será apenas um.
Então o amanhã se tornará hoje, e esse hoje logo será ontem,
e da espera ficará a saudade e uma nova espera.
Mas, se sei que vem, sou feliz por esperar.

Hoje um amigo me disse:
"Ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio."

domingo, 13 de setembro de 2009

Tá dominado.

Post apenas para sentir como é ter DOMÍNIO.
(ao menos de alguma coisa)

A tristeza que sorri.

Em minha infelicidade discreta, minha melancolia é quem sorri, a fim de proteger minhas pequenas alegrias chorosas, selecionadas com minúcia, e enganar os olhos cardíacos e gordos que não suportariam a beleza dessa minha alegria contristada, de certo sentiriam palpitações ao se aproximarem desse contentamento receoso que, por não subestimar a efemeridade dos risos, e as efermidades recorrentes, são alegrias de vida longa, cheias de curativos e cicatrizes, mas das quais jamais desisti e as enterrei. Não quero colecionar alegrias, nem renová-las. Quero cultivar cada riso que tão intensamente escolhi, seria deveras triste me perder entre os risos fáceis dos homens felizes, que encontram beleza nas coisas simples, e motivos para sorrir em cada mínima coisa. Tenho orgulho da minha infelicidade crônica, e até gosto de enxergar um mundo tão feio, com pessoas tão feias e de energia tão pesada. E dessa maneira me ativam os brios encontrar alegrias em um mundo triste, e beleza em meio a tantas visões desagradáveis e uma pessoa como você, entre tantas desnecessárias.

sábado, 12 de setembro de 2009

O Amor Bate na Aorta

Cantiga de amor sem eira nem beira,
vira o mundo de cabeça para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...

(Carlos Drummond de Andrade)

Ciclo Monstrual

Passo três dias no meio fio,
meio seca, mas grata pelo que passou.
Nos próximos sete compenso o desencanto,
semana de bar, de cerveja, de pensar bobeiras e falar todas elas.
E agora são quatro dias arrancando os pelos,
passando um blush e um batom,
momento que antecede os próximos cinco,
o clímax do mês, pergunte a uma mulher,
de preferência não sua mãe.
Chegam os três dias de desaceleração da alma,
que tranquila aproveita o que está para acabar
e que não é o dinheiro, esse foi deixado no auge do bar.
Então chegam os seis dias de crescente solidão,
e, conseqüentemente, durante três dias e meio sangro.




Nota de rodapé: Não quero abandonadar o trema :(

sábado, 22 de agosto de 2009

Budapeste - Chico Buarque

"Quarenta e quatro quilômetros diários, sentados lado a lado, eram extensão suficiente para nos conhecermos, e pelo canto do olho nos admirarmos, trocarmos confidências, criarmos implicâncias, às vezes discutirmos aos berros. Porém algum instinto sempre nos continha quando se chegava perto de um humilhar o outro, ou de se abrir demais o peito. Com um mínimo de pudor, mais um tanto de ódio preservado, nossa amizade se consolidou; à diferença do amor, que extravasa a toda hora, a amizade precisa ter seus diques."

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Das oportunidades desperdiçadas,

desejos sonâmbulos.

Escolha estúpida, noite cretina.

A manhã recorrente talvez seja sinal de solidariedade, perdão e teimosia. O sol insistente a queimar o que desprotejo e a iluminar meus sonhos para que, quiçá, em alguma manhã faça escolhas que eu não bote para dormir com o entardecer.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

evitando caimbra

A sobriedade da desilusão me traz orgulho da minha mente,
que se mostra, repentinamente, criativa.
e, num acesso, a ciencia da grande produção literária produzida em equipe:
a mente, a ilusão, a esperança, e a idealização.
versar sobre a rotina, e fazer dela poesia,
se convencendo que todo drama tem um fundo de comédia romântica.